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Lições do reality show Shark Tank: Negociando com Tubarões

Na minha opinião um dos programas mais legais da televisão por assinatura  se chama Negociando com Tubarões, transmitido pelo canal TLC. Para quem não conhece o formato, basicamente ele traz 5 grandes investidores (chamados de tubarões) que avaliam investir seu dinheiro em negócios que são apresentados pelos empreendedores. Como não poderia ser diferente, o pitch e a demonstração é rápida, seguida de uma interação entre os tubarões e os empreendedores.

O reality show foi criado em 2009, portanto além dos episódios que vão ao ar no canal fechado, há vários outros disponíveis no Youtube. Quem gosta de empreendedorismo sugiro pois pode trazer vários insights de como montar um negócio de sucesso e se portar diante de investidores. Abaixo listei 3 lições que ficam evidentes ao assistir o programa: 

Avaliam produto e pessoas.

Os tubarões normalmente buscam a combinação produto e pessoas quando avaliam o investimento. Na edição de agosto da Revista INC, Daymond John, um dos tubarões, afirmou que o perfil desejado são os resolvedores de problemas, aqueles que tem um objetivo bem definido e trabalham duro para chegar lá, superando todas as dificuldades. Mas não só as pessoas mas também os produtos que a empresa vende. Essa combinação é fundamental.

O episódio que apresenta uma empresa chamada FitDeck, um método de exercícios com cartas. O empreendedor possuía um histórico impressionante, tendo estudado em Yale e Harvard, trabalhado em um banco de investimentos, além de ter sido fuzileiro das tropas especiais da marinha americana.

No programa fazem muitas perguntas sobre o mercado, as funcionalidades, concorrência, vendas, modelo de negócios, etc. Há também um preocupação quanto à propriedade intelectual do produto. Patentes de produto e processo são itens valiosos nessas negociações. Quando eles tem a percepção de que ali existe um negócio durador que pode ser potencializado, propõem um acordo.

O lado financeiro do acordo

Uma pergunta que sempre é feita é o que o empreendedor vai fazer com o dinheiro. Quando a resposta é utilizá-lo com capital de giro para atender a demanda de pedidos há uma boa probabilidade de fisgar os tubarões.

Outro fator bastante avaliado é a relação vendas versus valuation. O múltiplo usado pelo empreendedor é um fator importante no lado financeiro do negócio. Boa parte dos negócios são avaliados entre 2 a 3 vezes das vendas anuais. É natural que os empreendedores cheguem pedindo mais que isso mas raramente sairão com um acordo se propuserem algo com 15 ou 20 vezes. 

Parceiros estratégicos

Naturalmente os tubarões avaliam se podem realmente fazer a diferença no negócio em função da sua experiência, conhecimento do mercado, contatos e dos negócios que eles já são sócios.

No episódio da empresa de produtos de limpeza naturais chamada Better Life, os dois empreendedores não estavam em busca de dinheiro já que empresa estava indo bem com o caixa disponível. Eles estavam em busca do apoio dos investidores com novas ideias, sinergia com negócios já estabelecidos e novos contatos para ampliar as vendas. Dos programas que já assisti, foi um dos negócios mais disputados entre os investidores. Os empreendedores receberam propostas de todos e acabaram optando pelo tubarão que já possuía negócios no ramo e uma rede de vendedoras que poderiam servir de canal para o produto.

Felipe Ost Scherer

Artigo originalmente publicado no Portal StartSe InfoMoney

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A cabeça nas nuvens e os pés no chão

Uma das bandas que mais gostava no final dos anos 80/início dos anos 90 era os Engenheiros do Hawaii. A partir do disco A Revolta dos Dândis de 1987 eles adotaram uma postura mais rock progressivo, emplacando diversos hits nas paradas brasileiras. Um dos clássicos da banda que muita gente deve lembrar é a música Infinita Highway. A letra cheia de filosofia existencialista traz também uma mensagem importante sobre empreendedorismo e inovação.

Recentemente quando entrevistado sobre o que se tratava a letra e significado da Infinita Highway, Humberto Gessinger disse que era uma metáfora à vida, que conduzimos a partir das escolhas e caminhos que optamos seguir. Penso que um dos dilemas que vivemos constantemente está em qual “highway” iremos seguir: a da inovação, tentando fazer algo diferente com significado ou se optamos em ligar o cruise control e deixar nosso carro no piloto automático.

Um dos trechos da música fala em ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão,  algo que entendo ser importante para todo aquele que busca inovar, seja em uma startup ou numa empresa consolidada. A cabeça nas nuvens significa sonhar grande enquanto os pés no chão remete a ter capacidade de mobilizar permanentemente os esforços de execução para aproximar cada dia a empresa desse sonho. O papel de um grande empreendedor ou liderança nas empresas é apontar o futuro, fazer com que ela mobilize recursos para torná-los realidade, ajustando o curso quando necessário.

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Os livros de inovação que todo inovador deve ler

Semanas atrás estávamos conversando na Innoscience sobre o desafio de um de nossos clientes. Frequentemente recorremos a nossa biblioteca para consultar modelos, ferramentas e teorias para suportar nossas análises e prescrições. Da mesma forma que um médico faz quando precisa tratar de determinada situação de um de seus pacientes. A medida que buscávamos os livros começamos a discutir quais seriam os livros de inovação que todo inovador deveria ler. Optamos por definir os 10 livros que são leitura obrigatória para todo potencial inovador.

  1. O Dilema do Inovador. Clayton Christensen apresentou os conceitos de disruptive innovation e como as empresas bem gerenciadas, fazendo tudo que devem fazer para seguir sendo bem administradas podem sofrer rupturas de novos entrantes. Detalhando sua pesquisa no segmento de disk drives e no setor siderúrgico o autor mostrou que as inovações de ruptura são uma alternativa distinta que merece atenção das grandes empresas. A partir desse livro o autor escreveu sua sequencia, Innovator’s Solution, Innovator’s Prescription, Seeing What’s Next e Innovator’s DNA, todos imperdíveis.
  1. A Estratégia do Oceano Azul. W Chan Kim e Renee Mauborgne defendem a ideia de que a orientação concorrencial reduz a ênfase em inovação e que as empresas devem criar “oceanos azuis” que são novos espaços de mercado onde não existe concorrência. Apresentam uma série de ferramentas com destaque para a Curva de Estratégia, muito útil para comparar a proposta de valor de sua empresa com as demais alternativas disponíveis. Utilizam os cases do Cirque du Soleil e do Nintendo Wii para sustentar a tese. Um dos maiores blockbusters da história de livros de negócios.
  1. Beyond the Idea. Vijay Govindarajan e Chris Trimble enfocaram o outro lado da inovação, a transformação de ideias em resultado dentro de organizações estabelecidas. Os autores evidenciam que os desafios de estrutura, alocação de recursos e gestão de projetos inovadores são decisivos para executar a inovação. O modelo de classificação de projetos inovadores que apresentam é bastante útil para definir políticas de gestão.

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  1. Business Model Generation. Alexander Osterwalder co-criou o livro inspirado em sua tese de doutorado na qual define, organiza e traduz o modelo de negócio. Apresenta o Canvas como uma ferramenta gráfica de elaboração, prototipação e testagem de novos modelos de negócio. O livro ganhou o mundo por meio de start ups e designers de negócio que viram na ferramenta uma forma clara e fácil de comunicar as principais escolhas estratégicas de um modelo de negócio.
  1. Open Innovation. Henry Chesbrough redefiniu a prática da inovação evidenciando que nem todas as oportunidades devem ser concretizadas internamente e que nem todas as ideias devem ser originadas na própria organização. A obra do autor abriu o caminho para considerar de forma sistemática stakeholders externos a empresa em seu processo de inovação e aumentar a eficiência das iniciativas inovadoras.
  1. Discovery Driven Growth. Os autores Rita Mc Grath e Ian MacMillan apresentaram o planejamento por descoberta, método de gestão de projetos inovadores que deu origem da ideia de lean start up e que trata as iniciativas inovadoras como projetos de incerteza que devem ser sistematicamente respondidas num roteiro de testes e experimentos denominado Discovery driven planning. Influenciaram de forma significativa o campo e deram origem a novas técnicas.
  1. Inovação Prioridade Número 1 – Peter Skarzynski e Rowan Gibson montaram o livro para ser um guia para o gestor que quer estruturar a inovação na empresa. Cada um dos 12 capítulos possui uma série de perguntas que precisam ser respondidas para configurar a inovação no contexto do negócio e coloca-la como prioridade número 1. Os deveres das lideranças são as ações que precisam ser colocadas em prática pelos inovadores e gestores da inovação.
  1. The First Mile – Nesse livro Scott Anthony aborda um tema muito relevante nos projetos de inovação: como superar os desafios iniciais em transformar uma ideia em realidade. A partir do modelo DEFT (em português: Documentar, Avaliar, Focar e Testar) tanto empresas já estabelecidas quanto startups podem seguir os passos e ferramentas sugeridas no livro. Ainda não tem tradução para o português mas apresenta uma abordagem a um tema importante para os inovadores.
  1. Disciplined Entrepreneurship. Bill Aulet do MIT com quem tive o prazer de estudar montou o melhor conjunto de ferramentas para desenvolvimento de novos negócios. Aplica-se tanto a startups como inovação corporativa. O autor oferece um passo a passo em 24 etapas que envolvem questões de mercado, finanças, modelo de negócio de forma clara e ilustrada. Depois desse livro os empreendedores e intra-empreendedores passaram a ter ferramentas para tornar o empreendedorismo mais previsível.
  2. Liderando a Revolução. Esse é um clássico do ano 2000 de Gary Hamel. A tese central está na importância da busca por inovações radicais por empresas de diferentes setores. É um livro que apresenta a lógica da inovação como estratégia e tem como objetivo sensibilizar o leitor de que as revoluções nos mercados podem ser feitas. Apesar de uma visão mais estratégica não deixa de apresentar dicas práticas de como fazer a “revolução”.

A inovação tem criado novas mídias e plataformas. Ebooks, audiobooks, podcasts e vídeos. Mas há conteúdos que não são perecíveis. Os 10 livros acima apresentados são lições duradouras, práticas e testadas para quem tem o desafio de inovar.

Até a próxima inovação.

Maximiliano Carlomagno e Felipe Scherer

Você conhece o Failure Bingo para empreendedores?

Thomas Oppong do site Alltop Startups consolidou em um ebook gratuito 50 histórias de fracassos de empreendedores. Nesse material os fundadores das empresas contam os motivos dos fracassos e os principais aprendizados vindos dessas experiências.

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Praticamente todas as empresas que hoje admiramos como inovadoras tem exemplos de fracassos ao longo de suas histórias. Desde startups até empresas estabelecidas seguem o mesmo caminho: falham, aprendem e persistem até atingir o sucesso. O Dodgeball, o Google Wave, Health, Buzz e outros tantos são exemplos de produtos lançados pela empresa e que não tiveram os resultados esperados.

Mark Zuckerberg do Facebook disse certa vez:

“Muitas empresas são organizadas de maneira que as pessoas julgam umas as outras por seus erros… Muitas empresas ficam tão preocupadas com a possibilidade de cometerem um erro que ficam com medo de arriscar.”

O site americano Innovation Leader resolveu entrar na onda do fracasso e desenvolveu o chamado Failure Bingo(Bingo do Fracasso). A brincadeira gira em torno de um tema que é muito falado por empreendedores de sucesso: o fracasso muitas vezes é o combustível para o sucesso.

No próximo evento de startups que reunir empreendedores de sucesso, leve a ferramenta e marque cada vez que algum dos tópicos for mencionado. Os criadores garantem que você irá ouvir diversas vezes as seguintes mensagens:

failure bingo

1. Celebre o fracasso.

2. A cultura corporativa deve permitir o fracasso, não punindo-o.

3. Thomas Edison: “Eu não falhei. Eu descobri 10.000 formas que não funcionam.”

4. Aprenda com o fracasso.

5. Alguém apresenta um exemplo concreto de como fracassou.

6. Falhe rápido e barato.

7. Remova os tabus sobre o fracasso.

8. Não tenha receio de falhar.

9. O fracasso é um legado.

Quem tiver interesse em baixar, o Failure Bingo está disponível no link:

http://www.innovationleader.com/wp-content/uploads/2014/10/Failure-Bingo-from-Innovation-Leader1.pdf

Felipe Scherer

Publicado no Blog Inovação na Prática da Revista Exame: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/inovacao-na-pratica/