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Grandes empresas estão convidando consumidores para inovar

Utilizar o consumidor para aprimorar o negócio tem sido cada vez mais utilizado pelas áreas responsáveis pelo marketing e inovação. Isso não é uma novidade em si, visto que durante muitos anos a voz do consumidor foi trazida para o processo de desenvolvimento através de pesquisas qualitativas ou mesmo quantitativas.

A democratização da internet trouxe uma nova abordagem a esse processo, popularizando as campanhas de crowdsourcing utilizando os consumidores e outros públicos.

Essa é uma relação que se propõem a ser no modelo ganha-ganha. De um lado a empresa que busca novas ideias criativas consegue-as de forma rápida, diretamente com seus usuários, a relativo baixo custo, ampliando assim seu potencial inovador. Para o consumidor um oportunidade de colaborar com sua marca favorita, melhorar sua experiência com os produtos/serviços e ainda ganhar alguma recompensa.

Seguindo essa tendência, apresento 3 iniciativas de marcas reconhecidas, Coca-Cola, 3M e Natura, que estão com campanhas de coleta de ideias de consumidores:

1. Abra Ideias Coca-Cola – Como ter sua Coca-Cola gelada e perfeita na hora e no lugar que você quiser? Essa é a chamada para o envio de ideias da gigante de bebidas americana. A empresa está em busca de ideias inéditas em qualquer estágio de desenvolvimento que possam apresentar novas formas de consumo, embalagens, materiais, serviços, conveniência, mobilidade, canais de venda, logística, devices, aplicativos e meios de pagamentos. O regulamento e manual do participante pode ser acessado em: http://abraideias.com.br/

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2. Compartilhe Ideias 3M – A 3M é reconhecida com uma das empresas mais inovadoras do mundo, Continuar lendo Grandes empresas estão convidando consumidores para inovar

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Bio-inovação energética: utilizando os relacionamentos para inovar.

Muito se tem ouvido falar sobre efeito estufa, aquecimento global e produção mais limpa nos últimos anos. As discussões sobre os temas ambientais têm aumentado a preocupação e valorização de produtos e sistemas ambientalmente responsáveis, afetando os mais diversos tipos de indústrias, inclusive o de geração de energia.

Mundialmente os níveis de consumo de energia têm crescido. Entre 2013 e 2014, segundo dados divulgados pela British Petroleum*, o consumo energético cresceu cerca de 2%, sendo a elevação da produção de energias fósseis de 1,69% e das demais 3,91% – nuclear 0,59% e renováveis 15,98%.

Nacionalmente, o consumo e fornecimento de energia fóssil tem apresentado significativos crescimentos, proporcionados pelo incremento necessário incremento no uso de termelétrica – devido à estiagem na região sudeste – e os incentivos à exploração de gás e petróleo junto ao pré-sal. Apesar destes, as energias renováveis, não considerando as hídricas, apresentaram crescimento de 7,89% entre 2013 e 2014.

Mesmo com crescimento da contribuição das energias renováveis inferior ao mundial, o Brasil destaca-se mundialmente pelo uso de energias renováveis, apresentando substancial parcela da sua matriz energética composta por estes. De forma geral, a matriz energética nacional é composta por 57,7% de energias fósseis, 1,3% de nuclear e 41,1% de renováveis ante 86,6%, 4,4% e 9,3% na matriz mundial respectivamente.

Fontes Matriz Energética Mundial Matriz Energética Brasileira
Participação % no ano de 2013 Participação % no ano de 2013
Petróleo 32,6% 39,3%
Carvão 30,2% 5,6%
Gás 23,5% 12,8%
Nuclear 4,4% 1,3%
Hidro 6,7% 12,5%
Biocombustíveis 0,5% 16,1%
Solar 0,2%
Eólico 1,1%
Geotermal 0,8%
Lenha e Carvão Vegetal 8,3%
Lixívia e outras renováveis 4,2%
Total 100,0% 100,0%

 

Considerando os usos, o setor de transportes é o segundo maior consumidor de energia nacional, sendo responsável pela utilização de 32,0% do total. Biodiesel, etanol e outras fontes de energia renovável foram responsáveis pela geração de 17% deste total, ou aproximadamente 5,4% do total da energia do país.

Iniciativas inovadoras para a majoração da geração de biocombustíveis para consumo pelo setor de transportes, entre outros, têm sido estudadas no Rio Grande do Sul, entre elas a desenvolvida pelo Consórcio Verde-Brasil, formado pelas empresas Ecocitrus e Naturovos, Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul) e Univates, entre outros parceiros. Priorizando a harmonização das áreas ambiental, social e econômica o projeto tem desenvolvido processos para a valorização de resíduos orgânicos, hoje ainda um grande problema relacionado à produção de alimentos, para a geração de energia.

O GNVerde, marca exclusiva da Sulgás, é um gás gerado a partir da decomposição de resíduos orgânicos provenientes principalmente da produção industrial cujas características são muito semelhantes às do gás natural utilizado para o abastecimento de veículos.

Proveniente da bioreação de compostos específicos, entre eles o de dejetos de aves e resíduos agroindustriais, o GNVerde alcançou índice de 98% de metano, percentual superior ao mínimo exigido pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis brasileira – 96%. Gerando chama de combustão limpa, ou com queima quase perfeita e baixa emissão de poluentes, o biocombustível alia-se à luta pela preservação do meio-ambiente e melhoria da qualidade do ar.

Cabe ao Professor Dr. Odorico Konrad e sua equipe do Laboratório de Biorreatores da Univates, dentro do projeto, o suporte técnico para realização de análises físico-químicas semanais dos materiais dos biodigestores e do teor de metano gerado, utilizando veículo – dentre seis movidos pelo combustível gerado na planta da empresa Ecocitrus – para o monitoramento. O suporte técnico para o projeto ainda busca fornecer subsídios para o desenvolvimento de normatização para a geração e uso de biocombustíveis desta natureza.

Por apresentar queima quase perfeita, com emissão de poluentes muito baixas, além de ter sua geração a partir de resíduos orgânicos, o GNVerde é considerado um forte aliado para a preservação do meio ambiente. Conforme o Prof Konrad “As emissões são muito menores que a gasolina e outros combustíveis. Para ambientes urbanos, é muito melhor utilizar biometano do que outro combustível, então passa a ser também um caso de saúde pública, pela questão de diminuir a poluição.”.

Como consequência dos bons resultados obtidos para o uso do GNVerde no setor de transportes, já está sendo considerado o uso do combustível para geração de energia elétrica no câmpus da Univates.

A estruturação e desenvolvimento de alternativas ambientalmente responsáveis, como as do Consórcio Verde-Brasil, têm se multiplicado, utilizando fontes energéticas diversas, no estado. Projetos de novas estruturas energéticas, utilizando inclusive fontes antes consideradas como passivos ambientais, concebidos a partir de processos estruturados para inovação poderão contribuir para maximização de projetos ambientalmente responsáveis.

Projetos como em desenvolvimento pelo Consórcio Verde-Brasil apresentariam significativa dificuldade para seu desenvolvimento e concretização se promovidos de forma isolada ou com a contribuição de poucos, devido aos limites de conhecimento inerentes às áreas de atuação individuais. A associação com parceiros, especializados e em número suficiente para atendimento às áreas demandadas para o desenvolvimento de projetos inovativos, permite, entre outras, a redução dos custos, dos tempos de cada uma das suas etapas e total e o desenvolvimento tecnológico de todos os envolvidos.

octogonoConsiderando os recursos limitados e a agilidade com que novos produtos e processos são desenvolvidos, são fundamentais os relacionamentos em rede, como os utilizados no projeto do GNVerde, abordados na dimensão “Relacionamentos” do Octógono da Inovação desenvolvido pela Innoscience.

Gustavo Greve – Innoscience Partner

A inovação aberta na prática: os aprendizados de uma experiência de crowdsourcing

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Imagine que esteja no papel de um gestor e o seu projeto já consumiu mais de 40% do tempo e do orçamento, mas a solução que desenvolveu ainda não chega nem perto da condição satisfatória. O que fazer nesse caso? Como tornar o projeto mais eficaz quanto à solução proposta?

A resposta para tais questionamentos passa por uma mudança de paradigma da empresa fechada para a empresa aberta. Mas abrir o que pode se perguntar o gestor mais desconfiado? Abrir as fronteiras da empresa ao estímulo intelectual e contribuições práticas de novos públicos que não sejam somente os colaboradores. Por meio da oxigenação das ideias, esses novos públicos se engajam na resolução de problemas bem importantes para a empresa e despertam uma renovação de esforço e engajamento que promove uma mudança de cultura. O caminho para isso é variado e cheio de novos percalços, mas bastante promissor nos resultados a alcançar. O conceito de inovação aberta permite percorrer com mais firmeza esse caminho ao dispor de soluções como o crowdsourcing.

O crowdsourcing é uma rede de especialistas que são motivados para resolver problemas práticos do contexto empresarial. Quando bem direcionado esse esforço, essa rede de especialistas se torna automaticamente um público externo que se conecta ao esforço de inovação.

Em 2008, a Roche – gigante farmacêutica suíça –  submeteu internamente um questionário para descobrir de onde poderiam vir os meios para oxigenar as ideias e trazer inovações. A maioria dos 255 respondentes indicou a colaboração com outros agentes como solução. No entanto, a equipe responsável por essa experiência não sabia como realmente fazer isso na prática. Embuída de um senso de que esta deveria ser uma experiência a ser tentada para comprovar os resultados de que colaboração fazia diferença, dividiu os esforços da empreitada parte para uma rede interna de cientistas e outra parte para uma rede externa de cientistas. A rede interna de cientistas da Roche tinha 2.400 membros, que submeteram 40 propostas por parte de 419 interessados. Muitas propostas não tinham qualquer detalhamento, o que impossibilitava o reconhecimento de valor. Mas uma única proposta apresentava uma solução muito simples para o aumento da eficiência energética de um dispositivo portátil.

A outra parte do experimento sobre vantagens da colaboração buscou auxílio do crowdsourcing de um dos maiores brokers do mundo. Da rede da Innocentive – crowdsourcing broker –  a Roche recebeu 113 propostas de quase 1.000 inscritos no desafio de inovação aberta para a resolução de um problema que perdurava já 15 anos. A solução definitiva para um dispositivo clínico que imitasse os resultados de um aparelho eletrônico foi encontrada, sem muitas dificuldades. O que deixou os gestores responsáveis pela experiência de abrir a inovação da Roche para uma nova cultura foi a qualidade do detalhamento das propostas apresentadas, bem mais profundas do que aquelas apresentadas pela rede interna de cientistas da Roche, e a possibilidade de implantação de diversas delas.

O aprendizado da Roche pode ser estendido às demais empresas que desejarem enfrentar uma mudança de paradigma de inovação fechada para inovação aberta:

  • Arrisque uma experiência: a mudança de paradigma para inovação aberta pode ser feita por uma experiência inédita e o uso de crowdsourcing é a forma mais prática de ser bem sucedido;
  • Engaje o público interno: ao envolver os colaboradores como parte da experiência, o esforço empreendido pode ser comparado e os resultados serão avaliados com muito mais justiça. Desta forma, os colaboradores “compram” a ideia de que inovação aberta é um meio sólido de agregar valor nos projetos da empresa;
  • Não pare: o processo de incorporação de novas fronteiras colaborativas como o crowdsourcing não pode ser interrompido, para não correr risco de desmotivação e descrédito. Cada vez mais desafios de inovação devem ser propostos e comunicados internamente os resultados atingidos.
  • Não abandone seu P&D: uma premissa bastante errada é de que o crowdsourcing poderá substituir completamente os responsáveis pelas ações de P&D. Isto é uma falácia, pois, pelo contrário, o conhecimento interno é estimulado a continuar fazendo projetos de inovação cada vez mais desafiadores.
  • Responsabilize alguém para cuidar da inovação aberta: estruture uma área ou atribua responsáveis pelas iniciativas de inovação aberta. Mas mantenha sempre o alinhamento dessas iniciativas com o que vem sendo desenvolvido internamente para não ocorrer desperdícios de esforço e orçamento.

Ao partir para a mudança de cultura e abrir os projetos para a contribuição de públicos externos, o orçamento, o prazo e o escopo dos projetos podem atingir mais facilmente os resultados esperados. As economias e as sinergias atingidas são inegáveis.

Experimente!!!

Luis Marques